LAPSUS CALAMI
Maquiavél de Sardas
A encenação torna (no espaço cénico da política) as decisões ainda mais difíceis do que elas são. O ar compungido, frágil, introspectivo, bondoso, sofrido de Jorge Sampaio, não consigo deixar de acreditar que é genuíno. Contudo, os resultados das suas decisões têm que ser avaliados pelos seus resultados práticos. E esse resultado por muito que tenha uma tentativa de insenção favorece a esquerda (a esquerda prtensamente séria e moderna, mas a esquerda) e nem o mais manipulador dos decisores políticos teria resulatados tão eficazes:
Afastado o imbróglio do PS chamado Ferro Rodrigues, dificilmente ganhador de eleições e tendencialmente frentista de esquerda;
Empurrado o Sr. Santana para um Governo ferido de legitimidade e inevitavelmente impreparado;
Não menos relevante, mas pouco mencionado, terminado o congresso do PCP com a opção ortodoxa a entricheirar-se num nicho de mercado eleitoral, deixando o segmento da esquerda para o PS;
O Sr. Presidente lança o tabete aos seus correlogionários no acesso ao poder, coloca o ónus da decisão aquando da saída de Barroso no PSD de Santana, mas sai desta estória como o bom pai que carrega o mundo aos ombros numa atitude profundamente paternalista que todo o português adora (dependência que tão cedo não se libertará).
TPC
Star-pediatras lançam greve aos trabalhos de casa. As personagens em questão procuram a todo o custo mediatizar a sua existência, nem que para isso tenham que manipular as criancinhas.
As carreiras destes médicos-artistas necessita de exposição televisiva, nem que para isso usem instrumentalmente os seus pacientes.
Contudo, começa-me a cansar a manipulação constante das crianças de que este caso vem a somar a outro não menos escandaloso do sr. Daniel Sampaio. Mesmo com as devidas distâncias o caso Casa Pia devia ensinar estes senhores a ter atenção em deixar os miúdos serem eles próprios.
Ate
Allternativa ao Prozac
Receita para ultrapassar quebras invernais, ‚nsias prÈ-primaveris e outros
stresses quotidianos:
ComeÁar o percurso no Chiado;
Caminhar calmamente pelas ruas da Baixa, passando pelo Terreiro do PaÁo, e terminar nos Restauradores;
Comprar uma revista a gosto;
Virar para a Rua das Portas de S. Ant„o;
Entrar no
Gambrinus;
Sentar na barra;
Beber uma (ou mais) imperial mista acompanhada de amÍndoas torradas.
Pedir meio bife de alho ou cogumelos;
Pedir umas torradinhas com manteiga e mais uma imperial mista;
Ler a revista ou aceitar a conversa cordial dos empregados de balc„o;
Pedir para trocar o bife para um prato e para trazer um qualquer verde para a refeiÁ„o ser mais saud·vel.
Mais uma imperial mista.
Molhar as torradinhas no molho.
Para sobremesa uma trouxa de ovos.
CafÈ de Ímbolo, duplo.
Whisky novo-velho (garrafas antigas guardadas na parte de tr·s das prateleiras).
Efectuar caminho inverso atÈ ao Chiado.
Reconciliar com a vida.
quietaÁ„o
.
Existem algumas dores crÛnicas (fÌsicas e da alma) que, embora sejam sinÛnimo de sofrimento, oferecem conforto a quem as carrega. S„o sÛ nossas, s„o conhecidas, companheiras, persistentes, previsÌveis Ö n„o h· escolha, para alÈm delas sÛ existe o tempo.
Ate
Doces de Natal
.
Gosto de me embebedar, disfarÁadamente, na seia de natal.
Os aperitivos, vinho branco (
Redoma 2001) e tinto (Tapada
do Chaves 2000), o porto (
LBV Noval 97) e o espumante (
Qta. Saima) e no fim um digestivo (
Glenlivet) s„o aplacados com doses generosas de bacalhau, peru, rabanadas e outras papinhas doces com natas e ovos.
A suave anestesia daqueles vapores e o embate da raÁ„o combinam-se para ver o mundo como um lugar maravilhoso e ampliam, ainda mais, o bem-estar e a concordia familiar.
¡ vossa...
NÈmesis
Retiro de Natal
.
Missa de Natal, ‡ minha frente senta-se uma moÁa de cabelos compridos castanhos sedosos e brilhantes. … linda, elegante, bem vestida, perfumada, tez morena. Sinto-me constatantemente perturbado e desconcentrado do que o padre diz, ouÁo apenas algumas frases soltas "...
n„o cair·s em tentaÁ„o...".
Sinto-me repentinamente fora da quadra.
Que raio! culpo-me, culpo-a, ajoelho-me, rezo, blasfemo, levanto-me, calo-me...
Fujo para casa da sogra e banqueteio-me alarvemente para compensar as fraquezas espirituais.
NÈmesis
Caprofagia JornalÌstica
.
Tenho uma manifesta falta de paciÍncia para aquelas pessoas que, em qualquer conversa, sÛ sabem falar de si prÛprias.
Esta caracterÌstica È ainda mais enfadonha, e habitual, no meio artÌstico, particularmente nos casos de actores, argumentistas e encenadores que se debruÁam sobre o processo criativo.
No caso dos media esta situaÁ„o tem vindo a ganhar, em Portugal, uma crescente e preocupante dimens„o, que assumiu proporÁıes quase monopolÌsticas, nos notici·rios, com a ida do contingente da GNR para o Iraque. Talvez n„o seja coincidÍncia a express„o
teatro de guerra.
A malta dos jornais, r·dio e televis„o (numa proporÁ„o de 1 repÛrter para 12 militares) fez as malas, e qual viagem de finalistas, partiu para o que pensava ser uma
guerra do solnado. Cheios de um voluntarismo de tipo
luso-desenrasca, ou melhor
nÛs-os-portugas-somos-uns-gajos-porreiros, andaram meia d˙zia de km na antiga BabilÛnia e chocaram com uns bandidos. Depois, em vez de se penitenciarem pela asneira em que se meteram, optaram por culpar a GNR que devia ter por primeira miss„o proteger o clube de patrÌcios jornalistas e fizeram do incidente uma oportuna cacha jornalÌstica.
Pass·mos um fim de semana a ouvir e ver os jornalistas a falarem de si mesmos. Foi uma exaust„o de narcisismo jornalÌstico. A TSF e a SIC enredaram os seus ouvintes e telespectadores nas questÌcolas domÈsticas dos seus enviados para o Iraque. Vivemos, e continuamos a viver, o fenÛmeno JORNALISTA-NOTÕCIA. A TSF glorificou o seu jornalista raptado, elevando-o ‡ condiÁ„o de herÛi, e a SIC elevou a sua jornalista ‡ condiÁ„o de m·rtir. Tudo serve para ser notÌcia, ontem ‡ noite um colega da Maria Jo„o Ruela mostrava ‡ NaÁ„o os pertences pessoais da jornalista que tinham ficado no MÈdio Oriente desde as malas, ‡ roupa e mesmo os tampıes. As audiÍncias puderam partilhar com solid·ria ansiedade a vida brava destes profissionais.
Decididamente estamos num processo de sobreposiÁ„o da figura do jornalista ‡ notÌcia, algo que se poderia aplicar o conceito de
SÌNDROMA-MANUELA-MOURA-GUEDES.
Esta despudor dos profissionais dos
media deveria ser refreado. O que se diria de um ·rbitro de futebol que decidisse comeÁar a correr a pontapear a bola, ou de um empregado de balc„o nos servisse e ele prÛprio bebesse o cafÈ, ou de um mÈdico que nos mandasse levar o seu prÛprio sangue para tirar umas an·lises.
Enfim, a falta de sensatez È tanta que se torna risÌvel contudo, nestas coisas como È o p˙blico que dita as regras estou esperanÁado que os profissionais da comunicaÁ„o venham a corrigir rapidamente estes absurdos e a terem mais respeito por quem os ouve e vÍ.
NÈmesis
P.S: Como boas notÌcias no campo da comunicaÁ„o temos o regresso, j· alguns dias, do mais interesante escriba dos nossos
media que agora publica o seu di·rio no melhor dos (n„o)blogs nacionais
JPC. JPC È o mais irreverente dos conservadores e o mais l˙cido dos liberais, misturado com uma boa dose de mau feitio.
O post acima publicado alinha no que È o tema do JPC para o dia de hoje - O Absurdo (e o Humor).
Eu tambÈm nos calabouÁos da Judici·ria
.
- Ai meu Deus! como È que eu vim aqui parar!
-
eu tambem...
- Eu sÛ andava a passear com as minhas jÛias...
-
eu tambÈm...
Bem sei que n„o declarava...mas nem poderia fazÍ-lo...
-
eu tambÈm...
- As jÛias eram para meu uso... e de alguns amigos... eu sÛ faÁo o que me mandam...
-
eu tambÈm...
- Tanta gente interressada em pÙr a m„o nas minhas jÛias ... tantas ofertas...seu abrisse a boca...
-
eu tambÈm...
- … tudo uma cambada de hipÛcritas È o que eu acho!
-
eu tambÈm...
- Isto sempre assim foi... sÛ agora È que embirraram... raios! devia estar em liberdade...
-
eu tambÈm
- M...
-
” Bibi agora chega de lam˙rias e apaga a luz. Estou cheio de sono!
- Eu tambÈm, Sr. Castelo Branco.
Ate
duplas vivÍncias e seus castigos
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TirÈsias È um adivinho cÈlebre dos mitos gregos e a sua lenda vem agora a (des)propÛsito.
o jovem TirÈsias passeando nos montes de Cilene intervÈm para separar duas cobras que estavam a copular. Esta iniciativa valeu-lhe o acidente de se transformar em mulher. Passados sete anos, ao passar no mesmo local, voltou a encontrar as duas cobras a copular, e mais uma vez se intormeteu no meio delas, o que teve por consequÍncia retomar o seu gÈnero de nascenÁa.
Esta dupla vivÍncia tornou-o habilitado a solver uma dsputa entre Zeus e a sua ciumenta mulher Hera, os quais debatiam sobre se seria o homem ou a mulher quem teria mais prazer no amor.
TirÈsias, sem qualquer hesitaÁ„o, afirmou que se o amor se pudesse dividir em dez partes, a mulher tinha nove e o homem apenas uma.
Tal resposta ecolerizou Hera (
protectora das mulheres casadas), uma vez que TirÈsias acabara de revelar o segredo do sexo feminino, pelo que o castigou cegando-o. Zeus para compens·-lo oferceu-lhe o dom da profecia e uma vida longa.
NÈmesis
esquizofrenias
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O Pedroso devia ter mais atenÁ„o. A facilidade com que, simultaneamente, encarna o papel de cidad„o arguido, que se transveste em deputado legÌtimo, podem levar a que o povo pense que È um homem de dupla personalidade...
Ate